quinta-feira, 10 de julho de 2014

Al Pacino, Robert De Niro e Jack Nicholson



Al Pacino, De Niro ou Nicholson? Bem, é uma questão muito complicada e delicada. Todos eles estão facilmente entre os melhores de todos os tempos. Isto é quase unânime. Sendo assim, quais serão os (poucos) factores que podem diferenciar cada um deles?

Olhando para a respectiva filmografia de cada um, creio que é impossível negar a importância dos seus filmes na história do Cinema. Se o Al Pacino tem o Scarface, o De Niro presenteia-nos com o Once Upon a Time in America, enquanto que o Nicholson pode galvanizar-se por elevar o One Flew Over The Cuckoo's  Nest a um patamar onde muitos poucos filmes se encontram. Cada um deixou a sua marca. Isto é indiscutível. Por isso, como devem calcular, é difícil encontrar uma performance menos positiva destas três lendas. Ainda assim, podemos constatar algumas diferenças nas suas carreiras e onde cada um deles tem tendência em brilhar mais.

A meu ver, o Al Pacino acaba por se inferiorizar devido, acima de tudo, à menos versatilidade comparativamente com os outros dois actores. Está mais direccionado para filmes como o Carlito’s Way, Scarface ou o Dog Day Afternoon (sua melhor actuação), onde tem de encarnar personagens mais malucas, extravagantes. Tenho pena que não tenha explorado mais vezes outro tipo de registos, fugir deste género de obras. Penso que lhe fazia bem. Dando uma revisão rápida à sua carreira, é fácil verificar que será relembrado pelas cenas de maior extravagância. E é aqui que o Robert De Niro se sobressai! Além de ter um conjunto de filme superior aos seus dois “adversários”, consegue, como ninguém, actuar quase sempre de forma magistral, encarnando personagens muito diferentes em cada filme. Godfather II, Mean Streets, Taxi Driver, The Deer Hunter, Raging Bull, The King of Comedy, Once Upon a Time In America, Goodfellas… entre outros. Não há ninguém neste patamar. É inacreditável. Infelizmente não manteve o nível no início do novo milénio. Papéis e filmes duvidosos estragaram um pouco a carreira fenomenal que estava a percorrer, mas não apaga em nada o brilhante percurso que escreveu desde os anos 70 até ao final da década de 90.

Quanto ao Jack Nicholson, creio que a sua filmografia fica um pouco aquém da sua qualidade como actor e é a menos bem conseguida dos três. É verdade que tem um conjunto de três/quatro filmes de elevado gabarito, mas comparando com a do Robert ou mesmo do Al Pacino, é a menos boa, digamos assim. Também podemos constatar que a nível individual é o mais galardoado, mas honestamente prefiro pôr isso de parte porque é muito relativo e depende de muitos contextos. A nível de performances, não consigo encontrar muitas diferenças com o De Niro. Simplesmente acaba por ficar um pouco atrás por não ter uma filmografia tão fantástica, como já referi.  

Para finalizar,

Melhor filme: Godfather (Al Pacino)
Melhor actuação: Nicholson ( One Flew Over the Cuckoo's Nest)
Melhor carreira: Robert De Niro

Ravenous (1999)

Ravenous
Horror, Thriller

Realizador: Antonia Bird

A razão que me levou a ver este filme foi o facto de ser inspirada em factos reais. A personagem Col. Ives é ela inspirada em Alfred Packer, que foi julgado por canibalismo em 1874.

Big Bad Wolves (2013)



                                                         Comédia - Crime - Thriller
                                                                 Contém spoilers




  •  Realizadores: Aharon Keshales, Navot Papushado
  •  Argumento:  Ahron Keshales, Navot Papushado
  •  Atores principais:  Lior Ashkenazi (policia), Rotem Keinan (professor), Tzahi Grad (pai da vitima)


Antes de iniciar a critica ao filme, tenho a dizer que o motivo pelo qual o escolhi foi simplesmente por ter lido num artigo que este foi para o realizador Quentin Tarantino (quem eu muito aprecio) o melhor filme do ano passado.

O filme inicia-se com um jogo de escondidinhas de 3 crianças, e o consequente desaparecimento de uma delas após se esconder dentro de um armário numa casa abandonada. O principal suspeito do crime é um professor de teologia, o qual acaba sendo espancado pelas mãos de um dos policias, o qual não olha a meios para atingir os seus fins, a fim de o obrigar a revelar a localização da miúda. Toda esta cena é filmada pelo telemóvel de um jovem e consequentemente postada no youtube.  Por falta de provas o professor é libertado e o policia que o agrediu é obrigado a abandonar oficialmente o caso, mas este contratempo não o demove do seu objetivo. Após uma dica anônima a policia é levada ao meio do mato onde acaba por encontrar o corpo da miúda, o qual havia sido decapitado e a cabeça não se encontrava no local. É neste momento que entra em cena o pai da miúda, que irá ter um papel determinante na historia daqui para a frente.
Apesar de todos estes elementos trágicos o filme tem alguns momentos cómicos, os quais na minha opinião acabam por não resultar pois relativizam um conjunto de episódios onde o ambiente deveria ser de extrema tensão.
Nota: Este filme retrata o lado mais negro do comportamento humano e como consequência mostra algumas cenas de violência. Se for sensível vai ter de desviar os olhos do ecrã algumas vezes.

Falando agora de aspectos técnicos o acting é apenas razoável. Destaco pela positiva o desempenho de Rotem Keinan.
A banda sonora esta bem conseguida pois ajuda a maximizar o efeito pretendido sempre que posta em prova.

Em conclusão este filme não me agradou particularmente, não que seja um mau filme mas esperava mais. Umas modificações no argumento e no acting teriam sido suficiente para transformar um filme razoável num must-see.
Boa sessão.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

That Awkward Moment (2014)

That Awkward Moment
Comedy, Romance

De quando em vez surge sempre um filme deste género. O típico galã que se recusa a assentar numa relação de amor. Neste filme, o galã tem o seu amigo, na mesma senda, e outro que se vê na posição de solteiro por outras razões menos positivas.

Pois bem, o script não trás nada de novo ou original, o humor é demasiado plástico e falta-lhe inteligência. É uma espécie de cliché.

Quer dizer, eu não quero spoilar a história mas haverão cenas inexplicáveis. Impossíveis num contexto de vida real. Há falhas na história.

O acting... bem, o acting é ao nível do filme. É medíocre. O Zac Efron foi mau. Ele estava algo fora do elemento dele, ao desempenhar este papel cómico. Contudo, pelo facto de a personagem ser de um arrogante e convencido, ele ainda conseguiu compor a personagem. Só quando, já para o final, a personagem se vê envolta num drama amoroso, e resvala para a dor e solidão, é que ele se consegue destacar e imprimir qualidade. É nesse elemento que ele brilha mais.
Fazer uma ressalva ao Miles Teller, que foi o menos mau dos três actores em destaque. Faz de amigo irritante, com complexos de superioridade e com mania de galã. Assentou-lhe muito bem o papel.
Aos casais faltou-lhes química, é perceptível no decorrer do filme. E foi mais um dos defeitos deste filme.

A imagem foi tipicamente hollywood, não houve nada de novo. Assim como a banda sonora. Não é que seja má, mas é algo que já se viu. Não inova, não é um filme que mais tarde servirá de referência. Se bem que seria pedir demais.


Concluindo, eu já sabia ao que ia quando me aventurei a ver este filme. Este é o exemplo perfeito onde uma pessoa, com tempo livre, prefere um filme como meio de entretenimento em detrimento de uma experiência cinematográfica.

Classificação: 4/10

terça-feira, 8 de julho de 2014

El espíritu de la colmena (1973)

   El espíritu de la colmena 
Drama, Fantasy

Embora não seja um must-see dos anos 70, é um filme bem conseguido e, para quem quiser explorar mais a fundo o cinema europeu e espanhol, é recomendável. Retrata o lado mais inocente das nossas vidas, isto é, a infância e explora, acima de tudo, a fantasia e curiosidade de duas pequenas crianças, que sofrem de uma imensa solidão.

É interessante ver como a mente e a imaginação de uma rapariga de seis anos funciona após a visualização de um filme, principalmente de horror. Neste aspecto o realizador acerta em cheio. Consegue, em várias cenas, transmitir a crença e imaginação da personagem e o quanto ficou ligada à peça. Simplesmente há um problema: verifica-se um enorme arrastamento e a ‘falta’ do desenrolar da história acaba por prejudicar o resultado final. É preciso ter uma enorme capacidade de controlo para conseguir gerir certas cenas e foi aqui que, a meu ver, o realizador, Victor Erice, claudicou. Focou em demasia a criança e prejudicou o ritmo do filme.

A ausência de banda sonora em grande parte das cenas foi bem aplicada, uma vez que salienta a solidão e o quanto as personagens principais estão ausentes do ‘mundo’. Também é de realçar a fotografia, que foi capaz de transmitir excelentes paisagens promovendo uma riqueza visual muito boa. 

Em jeito de conclusão, The Spirit of the Beehive está recheado de vários significados. Alguns deles respondidos, outros ficam a cargo de cada um de nós, da nossa interpretação.
Classificação: 8/10

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Le voyage dans la lune (1902)

Le voyage dans la lune
Short, Adventure, Fantasy

É a experiência cinematográfica obrigatória. E vejo-me tentado a ver mais filmes do Georges Méliès.
Tenho presente que este filme é visionário. É sobre a ida à Lua, algo que só ocorreu 67 anos depois do lançamento do filme. Meio-século depois. Portanto, há toda uma imaginação por parte do Georges Méliès, que envolve todo o processo do filme.

Neste filme só tenho em conta três aspectos, que para mim são essenciais num filme deste contexto(filmes mudos): imagem, plot e banda sonora.

A Trip To The Moon tem estes três elementos a um nível absurdo de qualidade. A imagem é marcante, os cenários são brutais. O cenário que mais gostei, simplesmente adorei, foi a do lançamento da nave. A extensão do canhão, a cor do mesmo, a cor do horizonte. É uma obra de arte.

Quanto ao plot, é fácil. É sobre a ida à Lua, a chegada à Lua e o retorno ao planeta. Não quero spoilar a história, fico-me neste curto resumo. Até porque o filme em si é curto e a história não é extensa nem tem qualquer derivação.

A banda sonora harmoniza a acção, como em qualquer filme mudo. E esta banda sonora é de qualidade elevada. Os ritmos, as melodias, a orquestra. Tudo muito bom. Compõe o filme.

Este é o filme que recomendaria a quem se quiser aventurar nos Clássicos. É curto, é simples, é lindo e tem imensa qualidade. E a minha classificação só poderia ser de 10/10, este filme é a perfeição na forma de Cinema. É um comunicar sem palavras, é a projecção de um sonho e o culminar de um trabalho de qualidade.

Classificação: 10/10

sábado, 5 de julho de 2014

The Uninvited (1944)

The Uninvited
Fantasy, Horror, Mistery
Clássico. É assim que se pode definir este filme. Este filme está no top de ghost storys. O que levava a ter expectativas altas em relação ao mesmo. Essas expectativas não foram defraudadas.
Primeiramente quero visar a banda sonora, é muito boa. Versátil. Harmoniza muito bem o plot. Compõe os bons e maus momentos. 
O script é bom, e complementa-se muito bem com a atmosfera. Uma mansão recuperada do abandono por dois irmãos que foram levados a entrar nela por culpa do cão que passeavam. A casa situava-se junto a uma falésia. Este contexto é pertinente para o decorrer da história, é muito bem aproveitado no script. Também por estar junto ao mar, as paisagens são lindas, muito lindas mesmo.
Os irmãos Fitzgerald não se desmarcam dos antigos donos da casa, e a história andará em torno da relação estabelecida por eles. Os Fritzgerald querem saber o porquê da casa estar assombrada e todas as respostas estão retidas nos ex-donos. É a química, seja ela positiva ou negativa, que faz o build-up ao filme. O twist é simples mas eficaz, é o desbloquear do mistério e o findar da assombração.

O acting é bom. O Ray Milland faz um papelão. A Gail Russell idem, consegue empregar muita profundidade à sua personagem. E acrescentar que é uma das mulheres mais belas da História do Cinema, certamente.

E agora a imagem. A imagem, tendo em conta que é um filme de 1944, é perfeita. A fantasma e o murchar da rosa, são surpreendentes para um filme da década de 40.
E outro elemento que ajudou na fotografia, foi o facto de a iluminação da casa ser toda ela à base das velas, exceptuando numas poucas vezes em que uma lanterna fora usada. O curto raio de iluminação das velas, aumentava a escuridão, elemento que alimenta o medo das personagens.
 

Em suma, este filme é um must watch tanto para os amantes de filmes de terror, como para os amantes de Clássicos. 

Classificação: 8/10