segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Maleficent (2014)

Maleficent
Action, Adventure, Family
Esta análise contém spoilers

O filme é uma espécie de esclarecimento da Bela Adormecida. O que afinal se passou na vida daquela personagem, como aconteceu e o que aconteceu?
Maleficent visa mostrar o ponto de vista da fada de seu nome... Maleficent. O que é que a tornou má?

Acontece que ao crescer, Maleficent fez-se amiga de Stefan. Stefan, em criança rouba-lhe um beijo do verdadeiro amor. Mais tarde, rouba-lhe as asas, sob forma a ser ele o sucessor ao trono do rei.
É nesta traição que brota em Maleficent o sentimento de traição, ódio e malvadez. E é quando nasce a filha de Stefan, Aurora, a fada num gesto de vingança vai ao encontro da recém-nascida, quando se celebrava o seu nascimento e lança sobre ela o famoso feitiço. Que até aos 16 anos, esta iria ferir o dedo numa agulha e cair num sono profundo e que apenas o beijo do verdadeiro amor poderia quebrar a maldição.


A menina é afastada do reino para sua própria segurança. Mas não é afastada de Maleficent. Esta vai nutrindo carinho por Aurora, e este sentimento é reciproco.
Acontece que dias antes do seu 16º aniversário, Aurora descobre tudo o que lhe aconteceu e decide regressar ao castelo. Eventualmente, ela acaba por se ferir na agulha e cai num sono profundo.

Ora, aqui está a parte que eu não gostei. O príncipe é levado por Maleficent ao castelo, para que este a beijasse. Foi o que aconteceu e ela não acordou. Maleficent, com remorsos, chora e lamenta-se à jovem o seu arrependimento pela a maldição que lhe lançara. E nisto, beija-a na testa e esta acorda. Era este o verdadeiro amor e o respetivo beijo.

Isto é um plot twist brutal, o fim poderia ter sido este. Mas não. Maleficent ainda perde uns quantos minutos, junto com Diaval, o seu servo, a defrontar o rei e os seus soldados que há muito preparavam uma investida.

Na melhor das hipóteses, invertia-se a sequência de eventos e mudava-se o plot. O príncipe ia ao castelo, beijava-a e nada acontecia. Maleficent defrontava o rei e os soldados e ia ao encontro e Aurora e beijava-a e esta acordava e seria um final muito melhor.

Para mim faria mais sentido desta forma, perdeu-se um twist fantástico em cenas de acção que, pronto, não trazem nada de novo.


O acting da Angelina é bom, em tão pouco diz tanto. É a sua expressividade que trata de transmitir a mensagem que ela pretende. Aquela cara de poucos amigos, uma expressão intensa. Adorei vê-la neste papel. Ela é sem dúvida a fada má.

A fotografia e efeitos especiais estão muito bons, assim como a banda sonora.

Em jeito de conclusão, apesar de querer uma sequência de eventos diferente, é a história em si que está muito boa, assim como filme num todo. É recomendável para todos.

Classificação: 8/10

Enough Said (2013)

                                                      Comédia - Drama - Romance


 Realizador: Nicole Holofcener
 Argumento: Nicole Holofcener
 Duração: 93 Minutos


Hoje trago-vos um filme levezinho, um daqueles filmes que eu gosto de apelidar de "filme de sábado à tarde".
Não quero com isto despreza-lo, simplesmente é um daqueles filmes que tem como única função entreter durante um bocado.
Confesso que o único motivo que me levou a ver este filme foram os actores.

Vamos ao que interessa, sim?
Tudo começa com Eva. Eva é uma mulher de meia-idade, divorciada e tem como ofício ser massagista particular. Ao acompanhar um casal amigo a uma festa ela conhece Albert e Marianne.
Se com Marianne estabelece uma relaçao profissional, esta passa a ser sua cliente, com Albert a relação assume um cariz amoroso.
Ao mesmo tempo que a relação com Albert vai correndo as mil maravilhas, Eva cria empatia com Marianne e assume a função de confidente desta quando o assunto é falar mal do ex marido.
Como este tipo de filmes não tendem a surpreender, é facilmente perceptível, ao fim de pouco tempo, que o ex marido de Marianne é Albert.
E esta, hein?!



O ponto positivo deste filme, e que vale sempre a pena realçar, são as intepretações, em particular dos protagonistas.

Julia Louis-Dreyfus encarna bem a sua personagem, desempenhando um papel de bom nível ao longo do filme.
E o James Gandolfini não sabia fazer nada mal.  A sua morte é sem dúvida uma enorme perda para o mundo da representação. Neste filme, um dos seus últimos, consegue contrabalançar muito bem a sua imponente estampa física com uma enorme sensibilidade e vulnerabilidade.

O argumento apesar de básico e linear faz o espectador sentir diversas emoções, ao mesmo tempo que consegue não cometer o erro de abordar as dinâmicas das relações afectivas de forma superficial.

A realização não se afasta do convencional deste tipo de filmes. É dificil dizer se é boa ou má, simplesmente limita-se a seguir a norma.

Em suma, se querem um filme para passarem um bom bocado, "Enough Said" cumpre eficazmente esse objectivo.

Boa sessão.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

X-Men: Days of Future Past (2014)

X-Men: Days of Future Past
Action, Adventure, Sci-Fi

Gosto deste tema da Marvel, os X-Men. Sempre foi algo que me levava a pensar que tipo de mutação eu queria ter e coisas do género.

Quanto ao filme em si, é para mim o melhor filme da saga. Ou mesmo o melhor filme relacionado com o Wolverine.

Relativamente ao plot, é fácil de assimilar, a história em si é interessante e o conceito, apesar de tudo, é bem executado. O Logan tem que ir ao passado e tentar modificá-lo sob forma a que o futuro seja diferente, futuro esse que é o seu presente. Presente que este que é infernizado por máquinas que pretendem aniquilar os mutantes e não só. Voltando ao passado, o Wolverine tem que eliminar a causa sob forma a evitar o efeito. Para isso terá que contar com Xavier e Erik, convencê-los e tentar uni-los, o que não será tarefa fácil.
Os efeitos especiais também estão numa nota elevada, não estão exageradamente presentes na fotografia mas quando é o caso de haver uma cena do género, nunca deixa a desejar.

O acting do filme não fica a desejar de igual forma que as restantes vertentes mencionadas acima. Os jovens Xavier e Erik conseguem-se perfilar com os veteranos no que à qualidade diz respeito. A Jennifer Lawrence continua a encantar e neste filme tem um papel de destaque e não desilude.

A banda sonora é provavelmente o melhor aspeto deste filme, é o que mais me maravilhou. 

Concluindo, o filme é o melhor da saga e um dos melhores da Marvel, não digo que é o melhor da Marvel entrar em terrenos menos bons. Tem um bom cast que corresponde bem. Uma banda sonora fantástica e uma fotografia muito boa. Tendo possibilidades, não há como não ver este filme.

Classificação: 8/10

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

La Habitación de Fermat (2007)

                                                           Mistério - Thriller


Realizador: Luis Piedrahita e Rodrigo Sopeña
Argumento: Luis Piedrahita e Rodrigo Sopeña
Duração: 92 Min



"Pasar a la Historia por resolver un problema, debía ser el sueño  de culquier matemático".
Quatro matemáticos são convidados a participar num fim-de-semana de quebra-cabeças, no qual serão desafiados a revolver um grande enigma matemático. Aos quatro é-lhes atribuída, por carta, uma identidade falsa de um famoso matemático. Ao chegarem ao local, uma remota casa localizada perto de um lago, deparam-se com uma aparatosa sala totalmente preparada para a estadia. Até aqui nada de especial. A tensão é despoletada após receberem um enigma num PDA (computador de bolso) presente no local, momento em que reparam que as paredes da sala se começam a encolher e a porta esta trancada.

Tendo apenas um minuto para resolverem cada enigma, até a sala começar novamente a encolher, os quatro terão os seus conhecimentos constantemente posto à prova se querem sair vivos.
Nos intervalos dos enigmas tentam descobrir o porquê de estarem presos e quem estará por detrás de tão engenhoso e macabro plano.





 O argumento carece de originalidade. Ao fim de pouco tempo torna-se facilmente perceptível que estamos perante uma tentativa de fusão entre "Cube" e "Saw".
Apesar disso consegue agarrar o espectador durante todo o filme com o gradual aumento do suspense e com a inclusão de uma nova intriga, revelando progressivamente que afinal os quatro desconhecidos ja tiveram as suas vidas cruzadas no passado.
Um aspecto positivo do argumento é a interactividade que estabelece com o espectador ao lhe ser dada também a oportunidade de resolver os enigmas. Tal é possível dado que os enigmas têm mais a ver com a lógica do que com teorias matemáticas.

A realização, a meu ver, é um dos pontos fortes do filme. Com um constante movimento das câmeras, mostrando o progressivo encolhimento da sala e a crescente tensão no rosto dos actores, contribui relevantemente para a inquietante atmosfera pretendida e para um gradual aumento da claustrofobia. 

As interpretações apresentam-se a um nível razoável não comprometendo em nenhum momento.

Bem recebido nacional e internacionalmente, tendo ganho inclusive dois prémios no Fantasporto de 2008, La habitación de Fermat é um filme sólido dentro do seu gênero e conquista facilmente a atenção do espectador.

Boa sessão.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Shrink (2009)

Shrink
Comedy, Drama
De uma mão cheia de filmes que tinha à disposição, foi este o que escolhi para ver. Isto por uma simples razão, porque tinha o Kevin Spacey.

Não foi a sua interpretação que mais saltou à vista mas sim a fotografia do filme, gostei a forma como a acção é retratada.

A acção, essa é ritmada num compasso lento mas que vale a pena acompanhar contudo deixa aquela sensação de estarmos a despender de tanto tempo por uma história que não se desenrola por aí além. São mais ou menos duas horas mas podia ser um filme um pouco mais curto.

A premissa é a de que um psiquiatra/psicólogo dos famosos mergulha também ele numa depressão. Estando nela, tem que saber como ajudar os seus pacientes a ele mesmo sob forma a driblar as penas que os afligem.

Os pacientes são parte integrante da acção, a história dos mesmos é detalhada e são estes pacientes que eventualmente afetarão também a personagem principal.

Se tivesse que arriscar uma comparação este filme seria um pseudo-American Beauty. E não tem que ser algo depreciativo, a ideia estava lá. Os sucessivos twists no final, a imagem, a exuberância da subtileza do Spacey. Mas ficou muito aquém.

Por duas horas há muitos filmes que valem muito, mas muito mais a pena ver. Se quiserem ver um filme com uma fotografia bonita, uma espécie de backstage de Hollywood e o Kevin Spacey a bom nível, então este é o filme ideal. Conjuga tudo.

Classificação: 7/10

sábado, 23 de agosto de 2014

Krótki Film o Milosci (1988)

                                                             Drama  -  Romance

  • Realizador: Krzysztof Kieslowski
  • Argumento: Krzysztof Kieslowski e Krzysztof Piesiewicz
  • Duração: 86 Min


Hoje trago-vos a história de Tomek, um jovem de 19 anos, que está apaixonado por Magda, uma mulher na casa dos 30, que vive no prédio do outro lado da rua. Tomek desenvolve os seus sentimentos por Magda atráves da prática de voyeurismo, apartir da janela do seu quarto. O que provavelmente começou como uma mera brincadeira ou um passatempo transformou-se numa obsessão, levando o jovem a todos os dias meter o despertador para a hora de chegada de Magda, passando de imediato a iniciar o ritual de invasão da privacidade através de um telescópio.

Engane-se quem pense que a atração de Tomek por Magda é puramente sexual. Tomek parece mais interessado em fantasiar uma relação de amor e compromisso com Magda do que na componente erótica.




O argumento está muito bem conseguido, pois consegue mostrar com realismo e extrema sensibilidade diferentes visões, perspectivas e sentimentos em redor da temática do amor, ao mesmo tempo que transporta o espectador para uma atmosfera melancólica e distante.

A realização, de grande nível, focando-se quase em absoluto nas reações e tranformações das personagens, relegando o espaço para segundo plano, incita à empatia, tanto cognitiva como afetiva, do espectador pela situação dos protagonistas. 
O acting encontra-se igualmente em bom plano, com os protagonistas a conduzirem o filme com uma forte presença.
A banda sonora é agradável, contribuindo com belas melodias, embora pouco presente.

Em 86 minutos muito bem aproveitados Krzysztof Kieslowski apresenta-nos uma história aonde o belo e o trágico andam lado a lado. Um filme realístico que demonstra que as experiências do passado e as crenças inocentes têm uma enorme relevância no presente.
Boa sessão.


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Neighbors (2014)

Neighbors
Comedy
 
Esta review contém spoilers, ou clichés

Fui enganado. Pensei que, atendendo às notas atribuídas pelo IMDB e Rotten Tomatoes, iria ver um filme engraçado. Contudo, a única coisa de engraçado foram mesmo as piadas forçadas, o mau acting e o plot fraquíssimo.

Primeiramente, as piadas. As piadas são do estilo do Seth Rogan, arrancam gargalhadas nos primeiros instantes mas depois vai-se perdendo o gosto à personagem. 
 
Quanto ao acting. O Zack Efron não tem perfil para a comédia, reitero. E a personagem dele só ganhou outro brilho quando entrou pela vertente dramática. Já assim foi no seu outro filme deste ano. Seth Rogan é igual a si mesmo, uma personagem bronca, com piadas, muitas piadas, sejam elas boas ou não.
O ponto mais vai para a Rose Byrne. Teve uma performance toda ela fluída, na minha opinião.

Relativamente ao plot, é uma espécie de ping-pong de provocações entre vizinhos. Um casa contra um bando de jovens. Depois, no decorrer da ação as relações são postas à prova. A relação do casal e a relação dos amigos. Quem sairá por cima serão aqueles que melhor souberem lidar com as zangas com os seus.

Em jeito de conclusão, se quiserem ver o Seth Rogan novamente a fumar charros e a com imensas tentativas de piada, ver novamente o Zack Efron a tentar ser um actor de comédia sem que tenha qualquer piada e ver um filme de festas de adolescentes, então é o filme ideal para depositarem hora e meia do vosso tempo.

Classificação: 3/10